Monday, October 13

Coorg - Um presente


Estava já aqui há mais de dois meses até fazer essa viagem. Foi inclusive a minha primeira viagem, a mais especial. Aconteceu assim. Tava tudo encaminhado para ir para Hampi (que ainda não conheci), quando o alemão Chris me disse que não tinha conseguido passagens. Fiquei frustradíssima! Seria minha primeira viagem aqui....e tava precisando muito sair de Bangalore. Assim que soube André, entrou no msn, contei pra ele minha viagem fracassada e acho que ele sentiu minha imensa vontade de viajar. Na mesma noite ele foi a um jantar com uma galera que ele tinha conhecido num congresso. No jantar eles começaram a planejar uma viagem, para Coorg, foi quando André se lembrou de mim, e perguntou se eu poderia me juntar ao grupo. Todos concordaram e assim foi minha primeira viagem. Dia seguinte pela manhã André me comunicou e fiquei surpresa e radiante! Coorg, pra mim tá ótimo! Nem sabia onde Coorg era.....deixei o escritório peguei minha mochila e fui encontrar o André no shopping, Forum Mall. Pegamos um rick shaw e fomos pra rodô. Nossa e que rodô!!! Nunca tinha visto tanta gente e tanto ônibus. A falta de organzação também tá presente ali, ônibus em todas as direções, tudo empatato e mais uma vez os indianos deixando que o caos resolva tudo. Nosso ônibus demorou mais de meia hora para sair da estação. Para minha surpresa o ônibus que era leito, ar condicionado, tinha até serviço de bordo rsrsrs...um senhorzinho passava com cobertores e uma garrafa d'água para cada passageiro.

Chegamos em Coorg e Bupa estava lá com seu jipe para nos pegar. Fomos eu, Raquel, Rumela, André, Camila e Deepak. Entramos no jipe e Bupa nos deixou temporariamente numa guest house para esperarmos a chuva passar. Conhecendo a dona da pousada, ela disse ter estado no Brasil, inclusive, ela foi entrevistada por alguma TV do Rio quando estava na praia de Ipanema. Bupa chega novamente com seu jipe e vamos rumo a nossa definitiva pousada. O lugar era paradisíaco, tínhamos que atravessar porteiras, cruzar rios até chegar casa de madeira com térreo e primeiro piso. No térreo ficava a cozinha "tipo americana" a mesa de jantar, uma sacada deliciosa e um quarto. Ao subir a escada tinha uma sala toda de vidro, que dava a impressão de estar flutuando na natureza, e mais dois quartos. Tudo isso no meio no mato. 
Coorg é a região do café e do chá, plantações gigantescas.


Para minha mais maravilhosa surpresa Coorg também é a região onde está instalada uma comunidade Budista. Desde a minha chegada estava a procura desse lugar, e sem saber cheguei lá. Em Coorg tem 3 mosteiros, um deles Seramey, exatamente onde Lama Michel estudou e morou. Mais ainda, chegamos lá no dia do aniversário do Dalai Lama, pudemos presenciar uma comemoração/prática em homenagem ao Dalai Lama.


Chegamos na comunidade e um Tibetano com sua filha nos mostrou o lugar. Conversamos bastante e ele contou um pouco da sua história. Com a situação que se arrasta no Tibet, ele nunca pisou lá, mas pelos mapas, sabia nos dizer exatamente os lugares de lá. Na nossa rápida conversa deu para sentir a tristeza que é o exílio. Amar um lugar e saber que talvez nunca poderá conhecer. A comunidade é linda, e eles falam que tentam fazer ao máximo semelhante ao Tibet. Os templos são de tirar o fôlego! Imagens lindas, Shakyamune, Amitaba, Padnasambava e práticas acontecendo. MARAVILHOSO! Fiquei tocada, emocionada, agradecida, agradecida e agradecida! Pensei em todos os queridos amigos nas horas que estive lá! Uma paz imensa invadiu meu coração. Um presente lindo.



Em Coorg também fizemos raffting, foi num dia depois de um passeio pela natureza, quando almoçamos na "vendinha" do morro, depois paramos num "carramachão" a beira do rio, com uma fogueira no meio, ali tomamos chai e coffee e jogamos mímica a espera da nossa vez de entrar no rio.
Foi muito engraçado nossa rápida aula e descida, lá embaixo tomamos banho no rio.
Coorg é uma região que tem muitos lugares para conhecer, linda natureza e troca tibetana.



Saturday, October 4

Saudade


Que saudade! Guido e Bela, meus cães, ficaram no Brasil. Estava aqui imaginando eles andando pela casa... Peguei os dois quando tinham nem 3 meses, agora com 10 anos. SAUDADES! Nasceram na mesma casa e foram criados juntos. Umas figuras! Companheiros, inteligentes, alegres e comunicativos. Raphael, meu sobrinho, toma conta deles pra mim ( né Rapaha!!!) com a ajuda do Bruno, meu afilhado, que prefere cuidar da Bela (né?), e agora com a recente assistência da Francesca....rsrs
Guido e Bela são assim agregam, somam. Bom saber que eles tem os "melores amigos" (como diria o Guido) por perto.
Aqui na Índia, tem muuuuuiiiiittttooo cachorro de rua...tem inclusive um casal perto da caminhada até o trabalho, que parecem Guido e Bela, só que um labrador e uma boxer. (no caso o Guido é labrador e a Bela é "mistura" entre Boxer e Aquita.

A mãe da Bela foi a primeira cadela que vi na vida chorar... foi no dia que peguei a Bela e o Guido e levei pra casa.

A todos aqueles, que através da simplicidade, ensinam muito sobre convivência e amor.

Tuesday, September 23

Kerala

Acabei não indo para a viagem naquele Domingo. Fiquei em Bangalore mesmo. Esse será sobre Kerala. Kerala é um estado ao sul da Índia, um estado rico em cultura, artes e culinária.

Chegamos em Kerala, Cochin as 6 e pouco, foi minha primeira viagem de trem! A Índia é bem-servida de linhas de trem, cobrindo todo o país, mas leve em conta que os trens são praticamente da época da colônia. Uma distância de ±400km, leva umas 6/8 horas. Contudo, isso não impede e nem diminui a vontade de todos de viajar, dos estrangeiros e dos indianos, que na minha opinião viajam bastante.

Fui de "sleepers class", vou tentar descrever. Ao entrar no vagão, você tem o corredor, aos lados as "camas", isso mesmo, tipo "camas"....tipo beliche, no que seria uma cabine tem seis camas que montam e desmontam, no lado da janela tem mais duas. Fiquei na cama do topo, o que achei muito bom, mais privacidade. Aqui, sendo estrangeira, iria ficar incomodada se passasse as 8 horas de viagem observando olhares intrigados. Estava sozinha, por que comprei a passagem depois, o resto do pessoal estava em outro vagão. Entrei e pensei...o que fazer? Arrumei minha cama, coloquei um pano para forrar e dormi. Acordando, ocasionalmente, para checar a paisagem que era linda.

Backwaters

Acordei com uns gritos, "Chaia chaia chaia, coffeea, coffea, coffeea!!" Eram os ambulates do trem, eles vendem tudo....Tudo bem indiano e tem muitos. No trem tem um símbolo "namaste" pintado nas portas de todos os vagões, e é apinhado de gente, as portas dos trens vão abertas. Um ponto que é chocante para nós... É impressionante a falta de regras de segurança aqui. O trem mesmo em movimento tem as portas abertas, gente sentada na porta com as pernas para baixo, não vemos aqui o cuidado com a segurança. É geral, dá para observar, no trânsito, nas ruas (onde fios de alta tensão passam ao seu lado), nas construções....em tudo.

Bom, depois de acordar demorou mais umas 2 horas para chegar....Chegamos na estação de trem em Ernakulam, Cochin. Raquel (Portugal), Ahmed (Egito), André (mineiro) e eu pegamos richaws até o ferry. Tivemos que esperar por quase 1 hora a barca. (haha--essa foi boa....!) Ficamos jogando mímica enquanto esperávamos. Foi então que um senhor, ou melhor um "Siirrr" se aproximou de Ahmed. Ahmed fazia mímica e o senhorzinho invadiu a cena, todo solidário, querendo compartilhar com aquele que ele achava ser um dos seus. O senhorzinho era surdo! E para ele estávamos tentando nos comunicar com gestos....quase morri de ri com a situação. O tiozinho ficou ali participando do jogo, e então a barca chegou. Um passeio bonito passando também pelo porto de Cochin, famoso, principalmente pelo tradicional comércio de especiarias, desde século XIV.

Chinese fishing net

Chegamos em Fort Cochin, pegamos outro rickshaw e fomos para o hotel onde encontramos com Eduardo e Michelle, que já estavam lá. Passeamos pela cidade, adorei o clima do lugar. Uma vila, com seu centro e muito mas muito comércio, com coisas lindíssimas! Dá para mobiliar umas 10 casas....muita opção, com tudo lindo, todas a imagens, bancos, mobília, almofada e lojas de especiarias, muitas. Lindo! Tudo em vielinhas repletas de lojinhas com todos te chamando para entrar. Boa caminhada pela área dos pescadores, "chinese fishing net", primeira vez que vi.

Kerala, famoso pela culinária, tem o peixe em destaque no cardápio. Usa-se muito coco, óleo de coco, coco ralado, água de coco, tem até uma "bebida" do coco, "Todi". Dizem que tem efeitos colaterais, mas que não é igual ao álcool, não experimentei, soube quando estava de volta, hahaha, na próxima já sei. O líquido tem que ser tirado pela manhã, a tarde já está fermentado, não serve.

Kathakali

Cochin e região tem muito para ver. Ayurveda é a medicina daqui. Conheci a arte local através do teatro. Famosa expressão cultural de Kerala, o Kathakali. Impossível passar por esse texto a experiência de ver o Kathakali. Repleto de expressões faciais e gestuais e significados. MARAVILHOSO! AMEI! Um tradicional espetáculo tem duração de até sete horas. O que eu fui foi um de três horas. É composto por quatro bases, a música representada nos tambores e vocal, a representação, os figurinos e a maquiagem. Contam as vidas dos Deuses. Incrível.


tamanho do camarão
André também abismado com o tamanho do camarão!

Lá, em Cochin, também tem o passeio de barco nas "backwaters". São barcos/casas, que vc pode passar um dia, ou então, o dia + pernoitar. Pernoitamos. Um passeio lindo! O barco é demais, a comida excelente e ÓTIMO serviço, isso é admirável encontrar na Índia. E eles cozinham muiiiiiittto. No caminho paramos para comprar os tiger praws, tiger mesmo. Passamos bem, muito bem. Dividi os quartos, durante a viagem, com a Raquel, amiga e ótima companheira de viagem. Boas risadas!
Resumindo, lindas paisagens, barco, cervejinha (ou melhor, "special tea"), peixe, e relaxxx. Bom, muito bom.

Saturday, September 6

Chegando


Cheguei em Bangalore-India no dia 29 de Abril de 2008, as 6:00 da manhã (saí do Brasil às 16:10 do dia 27). O aeroporto me parecia mais uma rodoviária de uma pequena cidade. Até foto da imigração tirei, e tudo bem, ninguém me recriminou. Ao sair, depois de passar por todos indianos q me “ofereciam” ajuda com tudo, o motorista agendado pela empresa estava me aguardando. Prontamente pegou minhas malas, dispersou os indianos q estavam me seguindo e entrei no carro, na mão inglesa). Assim q fechei a porta do carro, coloquei o cinto, como de costume. Feroz, o nome do motorista, me disse “Não precisa!”, mas coloquei mesmo assim, claro, o q foi bom. Seria meu primeiro contato com o trânsito indiano e em especial de Bangalore, onde os motoristas dirigem indo um na direção do outro até ficarem presos e terem q dar ré ou então bater. Regras não tem, geralmente na base do “salve-se quem puder”, motoristas achando espaços em lugares q nunca imaginaríamos. Tive a impressão q iríamos bater uma dezena de vezes no nosso trajeto até a Guest House.

Quando chegamos perto da Guest House, lugar arborizado, ruas de terra, casas e construções baixas, lembro q, sem nenhuma noção de como seria a paisagem, comparei com as ruas de cidades do litoral norte paulista, claro q sem o cheiro de maresia, com outros aromas, pois Bangalore não tem praia, fica no centro de Karnathaka, estado no sul da India.

Ao chegar na Guest House, o funcionário me recebeu com um “Welcome Madm”, um quarto ótimo com ar-condicionado, tv, banheiro, chuveiro, tudo ocidental para meu alívio. Dormi, e só fui acordar as 5 da tarde, também depois de viajar mais de 24 horas, sem dormir, pq acho extremamente difícil dormir em avião, era a única coisa que queria fazer: dormir….dormir….e dormir.

As 17:30, o q seria pra mim umas 10 da manhã, acordei e fui até o escritório me apresentar, soube pelo funcionário da Guest House que a Saritha do escritório tinha passado lá para verificar se estava tudo bem, se tinha chegado bem etc…A Saritha é de Kerala, estado vizinho ao sul, comida maravilhosa! Cheguei no escritório e foi bem impactante, umas 20 novas pessoas querendo se apresentar com nomes que eram completamente novos para mim. Sapna, Anuradha, Payal, Nisha, Veneeth, Venoth, Soma, Manish, Ayush, Armanath, Anukriti, Achyutha, Anji. Minali, Sanjay e Charles eram já familiares, pelo contato desde o Brasil. Pelo menos tinha um Antonio pra compensar, um italiano q havia chegado também há uns 20 dias. Ele, a mulher Flávia, e o filho recém nascido Luc. Todos me receberam muito bem, mas ainda estava bem zoada com o fuso e tudo ali me parecia confuso…rsrs


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Esse é meu primeiro post, depois de + de 4 meses aqui, tinha q abrir com a chegada, pois representou uma grande mudança na minha vida. Costumo dizer, agora sim sei o que é a expressão choque cultural e todas as adaptações que ela demanda. Adaptações e aprendizado, aqui na Índia principalmente. Referências com a cultura brasileira são inexistentes ao primeiro impacto. Pessoas, hábitos, culinária, roupa, comportamento, relacionamento, línguassss, arte, música, grafia, INCRÍVEL a experiência de descobrir como se adaptar à esse universo e aprender com ele.

Até agora já estive em Coorg, Podicherry (col. Francesa) e Kerala, viagens maravilhosas, principalmente Coorg que foi um presente! Os barcos/casas de Kerala são maravilhosos e o lugar mais lindo ainda. Viajar é a melhor coisa, sempre que posso estou fazendo. Mês que vem vou a Goa (col. Portuguesa), muito afim de conhecer! Pousada com pé na areia, praias lindas!

Dia 02 foi abertura do festival de Ganesh, no hinduísmo Ganesh visita todas as casas nesse período, chegando a cada uma delas no dia 02, todos devotos de Ganesh preparam um altar para recebê-lo e durante os 10 dias fazem o Pooja (mantras, oferendas, incensos), sendo Ganesh um Deus bem popular, é um festival importante. No escritório também foi montado um altar. O festival dura no máximo 10 dias, e as imagens de Ganesh são levadas aos rios para acompanhá-lo de volta a sua casa. Esse é o final do festival, e durante os 10 dias tem comemorações para Ganesh e assistimos os carros transportando as imagens para todos os lados. Hoje mesmo, depois que saí do trabalho, passou um carro desses, e todos felizes repetindo algo como “louvem a Deus” me deram flores e Prasanna (que significa pureza, transparência, paz - comida servida após cerimônia ou Pooja). Estávamos, eu Sapna, Manish e Anisha, indo comer “water balls”, como a Sapna traduz, ou Bhel Puri, uma massa fina de arroz, frita em forma de bola oca, recheada com batata temperos limão e um caldo. Come-se de uma vez e são servidos 5 na sequência sendo a última rodada a opção doce que tem o gosto mais suave.

Contudo, uma revisita a algumas coisas que soam falmiliar sempre é bem-vinda. Hoje jantei pela primeira vez em um restaurante conhecido pelos estrangeiros moradores de Bangalore, chamado “The Only Place”. Lá tem um vasto cardápio com carnes, filets. Muito bom, faz o papel. Peguei carona com o André de moto, em dois cruzamentos batemos, uma vez numa moto, e outra numa bicleta, depois um rickshaw passou com a roda no pé do André, tudo isso num trânsito louco. Chegamos bem, graças a Ganesha. Éramos um grupo de 15, seria 16, uma pessoa não compareceu. Eu, Raquel, Johan, André, Deepak, Ahmed, Maria, Gonçalo, Frank, Nolita, Dennis, Yann, Mamta (deve estar faltando gente) a maioria pronto para atacar um steak. Boa companhia, comida boa, mostarda excelente, foi bom conhecer, exceto pelo sobremesa e café que vieram com extra rsrsrsrs (bald waiter, please! - Ahmed sabe…). Domingo vamos pra Mysore, o mesmo grupo, amanhã consultaremos a Van.

Talvez na próxima fale sobre esse passeio. Quero ver se começo a pegar o rítmo de postar….quem sabe, na Índia tudo é possível.